domingo, 5 de fevereiro de 2012

Cirurgia Plástica & Psicologia

A beleza e suas implicações na representação de si têm grande efeito no comportamento e nas relações das pessoas. A imagem que fazemos de nós mesmos é baseada no que vemos e apropriamos do nosso corpo. Entretanto, podemos percebê-lo como feio, indesejado e fonte de grande sofrimento. Diante disso, inúmeras técnicas e procedimentos surgiram com a finalidade de amenizar ou mesmo solucionar tais queixas, entre estas, a cirurgia plástica.
A decisão por uma cirurgia plástica nem sempre é tranqüila, na maioria das vezes ela vem acompanhada de ansiedade, angústias, medos e falta de informação. As expectativas diante da cirurgia, ou seja, o que acreditamos que ela poderá fazer por nós, irá influenciar muito em nossa satisfação com os resultados.
A necessidade de se encaixar nos padrões sociais de beleza tem alimentado cada vez mais o mercado da cirurgia plástica estética. É importante salientar que a cirurgia plástica, não resolverá problemas pessoais, como um casamento ruim, um emprego insatisfatório ou até mesmo ou fazer com que os outros gostem mais da gente. Se a colocarmos como expectativa para as nossas frustrações, inevitavelmente ficaremos desapontados. A insatisfação com a vida, ou com nós mesmos, pode estar ligada a fatores psicológicos que na maioria das vezes não nos damos conta disso, então buscamos soluções paliativas na tentativa de resolver nossas angústias.
Por esse motivo é fundamental que saibamos o real motivo que nos levou a optar pela cirurgia, caso contrário, os benefícios podem não atingir o resultado esperado. Uma pessoa que aceita a si mesma, sabe buscar seus valores na sua própria experiência, se sente digno e importante, terá na cirurgia um grande complemento dessas conquistas.
Outro fator muito importante para um resultado satisfatório diz respeito ao nosso estado emocional. É muito importante que tanto no pré quanto no pós-operatório nos resguardemos de situações que nos deixem tensos, angustiados, ansiosos, etc.
O Papel do psicólogo juntamente com o cirurgião plástico, visa proporcionar uma satisfação completa ao paciente. Ao psicólogo cabe auxiliar a pessoa a melhorar sua auto-estima, habilidades sociais, conhecer a si mesmo e suas reais motivações, colocar o pé no chão quanto as suas expectativas e ajudar nesta delicada fase de transição entre os desejos, os resultados e a nova imagem que seu corpo apresentar após a intervenção cirúrgica, de maneira relevante o acompanhamento psicológico pode estruturar recursos pessoais para que o sentimento de satisfação como ser humano prevaleça acima de tudo.
Ao cirurgião cabe dar a forma final, em outras palavras, moldar o corpo de forma que esteticamente proporcione ao indivíduo, uma potencialização dos seus ganhos pessoais.
O acompanhamento psicológico vai dar força a um estimulo para se chegar ao resultado equacionado entre médico e paciente, assim, o objetivo do acompanhamento psicológico é de que, o paciente não abdique de seu ideal, aceite de forma mais palpável suas próprias possibilidades quanto à cirurgia, consiga ultrapassar as barreiras que poderiam desestimular suas metas pessoais quanto à estética, e mantenha o auto cuidado relativo ao corpo e à cirurgia. Além de trabalhar a auto-estima, o acompanhamento psicológico também é indicado para outros fins, como por exemplo, a manutenção do resultado pós-operatório, pois é muito comum após a cirurgia, ocorrer um estranhamento do corpo, edemas, hematomas, diminuição ou o aumento de uma parte do corpo, tudo isso pode causar um impacto, um choque de não reconhecimento de si mesmo
O corpo e a mente estão diretamente ligados. A saúde física e o bem-estar emocional são elementos necessários para uma cirurgia plástica de sucesso.

YANE CAMOCARDI
Psicóloga Clínica
CRP 06/99074
  (11)8567-4050  

                                                            

A INDIFERENÇA HUMANA

Atualmente não sabemos o que nos choca mais: se o assassinato de pais pelos filhos ou se o do filho por um pai desesperado. Ficamos petrificados ao ouvir um grupo de rapazes de bom nível social declarar que só atearam fogo no índio pataxó, pois julgavam ser um mendigo.

Assistimos com imensa dor milhares de jovens e adultos reduzidos a trapos humanos em virtude das drogas. Causa-nos compaixão verificar que tantos outros se transformaram em cabides e vitrines para as grifes da moda e em ouvidos e olhos, que mais parecem esponjas a absorver tudo o que vêem pela frente.

E nós, iludidos, achamos que permanecemos imunes a todo esse apelo que implica em milhares de imposições que nos são enfiadas goela abaixo no nosso cotidiano veloz e conturbado. Ledo engano!!!

Compramos um modelo de vida ideal, um sonho que poderia ser alcançado por todos, sem dores nem preços a pagar. Um casamento ideal, um emprego fantástico, filhos doces e submissos a nossos sonhos, casa, carro, saúde perene, uma alegria permanente, uma festa eterna... E assim afastamo-nos da realidade, da vida simples, das nossas emoções, dos nossos limites humanos e principalmente da nossa proposta para a encarnação atual.

Enfrentamos um conflito permanente entre o que é viver de verdade, encarar os desafios que se apresentam e a “vida de sonhos” que o sistema econômico que nos abriga propõe e impõe. Talvez seja esse nosso maior desafio. Iludidos, buscamos o que a vida não nos pode dar.

Somos levados, em conseqüência desse conflito entre o real e o sonho, a tomarmos uma posição cada vez mais individualista, buscando alcançar nossos objetivos a qualquer preço e tendo isso como nosso único foco. Voltamo-nos apenas para nossos próprios problemas, nossas depressões, ódios, revoltas e insatisfações. Somos eternos famintos em busca da perfeita felicidade que nunca é alcançada, pois a procuramos sabe lá Deus em que lugar e, muitas vezes no caminho onde certamente ela não está. E nessa permanente e irreconhecida infelicidade, passamos a agir com indiferença diante de nossos semelhantes. Infelizmente, essa é uma tendência cada vez maior, chegando aos disparates extremos que povoam as páginas policiais.

     Quanto menor a consciência, maior é o risco dessa indiferença caminhar para o alheamento, que faz com que o ser humano não reconheça o outro como um semelhante, desqualificando-o e não o respeitando na sua integridade física, psíquica e moral. O Outro passa a ser apenas um fornecedor ou portador de objetos, valores ou desejos. Nada mais vale, além disso. E esta é uma das origens da violência que nos espanta, amedronta e paralisa. Se o pai é um empecilho, elimina-se. Se aparece o impulso para dar vazão à violência, incendeia-se o mendigo.

Hoje, num mau momento, podemos passar por cima de alguém que está deitado em nosso caminho e ainda reclamar perguntando porque não se deitou em outro lugar. Todos os que nos retardam os propósitos de viver rapidamente são tratados como transtornos, adversários. Desde as atitudes menos lesivas até as mais perversas, estamos todos sendo atingidos por esse mal. A violência divulgada nos meios de comunicação nos choca, mas logo é esquecida.

Se perguntarmos quem é aquele “estranho” com quem “trombamos” todos os dias, pois possui a chave da mesma casa, ou talvez nosso “adversário” de trabalho com quem medimos força e poder ou o chefe que grita, ou ainda o garoto pobre do cruzamento da avenida. São tantos... São todos. E nós, permanecemos alheios à sua existência, ainda que compostos pelas mesmas células, que como nós, sofrem contingências, dores e dificuldades.

Nesse campo a impiedade impera, já que no alheamento, as pessoas não conseguem enxergar sua violência, muitas vezes disfarçada sob a capa do medo ou de desculpas escapistas. Apenas posicionamo-nos diante dessa impiedade no momento em que, nos tornamos o próximo irreconhecido pela agressividade daqueles que nos vêem como meros suportes dos seus objetos de desejo, sejam eles um tênis, um Rolex, um cargo ou qualquer outra coisa.

Nestes tempos em que a materialidade e o egoísmo dita as regras de vida, nossa miséria emocional precisa ser sanada.

Um dos caminhos pode ser nossa saída dos pedestais em que nos achamos estagnados e renunciemos à onipotência Vivemos em busca de substitutos para nossos desejos insatisfeitos. E estes acabam sendo buscados nas satisfações materiais, apenas.

Por isso é imprescindível que empreendamos um trabalho de auto-conhecimento, de mudança e transformação interiores, para que saibamos mais sobre nós mesmos, conheçamos nossas dificuldades, aprendamos a lidar com elas e nossas angústias diminuam.


LILIAN APPROBATO
Psicóloga Clínica
CRP 06/91902
9972-6520 / 9288-4793

domingo, 15 de janeiro de 2012

A avaliação neuropsicológica no diagnóstico diferencial- caso clínico

O diagnóstico é uma fase muito importante do tratamento psicológico. De maneira geral, ao ser feito o diagnóstico são levantados os sintomas e caraterísticas pessoais que causam prejuízos e limitações na vida do paciente em diversas áreas, por exemplo, nas  relações familiares e amorosas, no trabalho, no aprendizado, entre outros. O diagnóstico pode mudar ao longo da vida, por exemplo, uma pessoa que apresenta um quadro de depressão, pode apresentar melhora significativa com o tratamento adequado e remitir os sintomas. Porém, para que o tratamento seja realizado de maneira adequada, é necessário conhecer as demandas reais do paciente.
A avaliação neuropsicológica é uma ferramenta útil para essa finalidade, por mapear o funcionamento cognitivo e investigar aspectos emocionais do paciente. Além disso, em alguns casos é necessária a participação de outros profissionais da saúde para auxiliar no diagnóstico, para que não haja distorções. Na prática clínica, por exemplo, constatei  que crianças e adolescentes rotulados como deficientes mentais na verdade apresentavam quadros clínicos que impediam que o processo de aprendizagem ocorresse de maneira efetiva (apresentavam miopia, perda auditiva, entre outros). Nessa caso, a participação da equipe multidisciplinar é indiscutível.


Esse link se refere a um estudo de caso que exemplifica a utilização da avaliação neuropsicológica e avaliação multidisciplinar no diagnóstico diferencial de um garoto acusado cometer de abuso sexual. Os autores fazem parte do Programa Equilíbrio, do Departamento e Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, serviço de atendimento a crianças, adolescentes e famílias em situação de risco e vulnerabilidade social.

Boa leitura!

http://www.scielo.br/pdf/clin/v66n10/29.pdf

CASE REPORT
The importance of multidisciplinary evaluation for differentiating between mental retardation and
antisocial behavior in sex offenders: a case study
Paula Approbato de Oliveira, Christian César Cândido de Oliveira, Cristiana Castanho de Almeida Rocca,
Ana Paula Gonzaga Costa, Sandra Scivoletto

Equilibrium Project, Department and Institute of Psychiatry, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), São Paulo/SP, Brazil.

Paula Approbato de Oliveira

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

ANSIEDADE É QUANDO FALTAM CINCO MINUTOS PARA O QUE QUER QUE SEJA...


A ansiedade, até pouco tempo atrás uma ilustre desconhecida, hoje virou um assunto da moda, objeto de discussões em toda mídia e constante em todas as rodas de conversa.

Antes dela, todos os sintomas e desequilíbrios eram atribuídos ao “nervosismo”. Hoje, ela passou a ser considerada uma grande vilã que traz muitos problemas a todos.

A generalização do termo é fato, mas poucos sabem o seu verdadeiro significado. Na realidade a ansiedade foi uma conquista nos primórdios do desenvolvimento humano, para garantir a sua sobrevivência num habitat hostil, cheio de ameaças do clima, animais ferozes, lutas por alimentos e espaço.  

O mecanismo da ansiedade promove a excitação do sistema nervoso central para estimular o organismo para a luta ou a fuga. Ele prepara o indivíduo para enfrentar situações de perigo, lidar com ameaças, privações ou punições, tentando preservar a integridade física, moral ou emocional. Se não for possível evitar as agressões, o organismo tenta minimizar suas consequências.

Hoje não existem os mesmos perigos... Mas quais são aqueles que nos mobilizam?

Nossos tempos poderiam ser chamados de Idade da Ansiedade não porque ela seja uma novidade, mas porque hoje estamos dando atenção à quantidade, tipos e efeitos dela sobre o organismo e psiquismo humano.

Hoje convivemos com muitas outras lutas reais e abstratas que nos ameaçam a sobrevivência. A competitividade social, a busca pela segurança, a necessidade se sobrevivência econômica são marcas da nossa época. Temos que provar constantemente nossa competência, desafiando nossos próprios limites como pessoa, tanto física como psicologicamente. Continuamos assombrados como eram nossos ancestrais.

Somos diariamente invadidos por esse sentimento desagradável, difuso, de medo e de grande e intensa insegurança diante do um perigo vago, que muitas vezes nem mesmo sabemos localizar nem identificar. Passamos a ter sensações físicas muito diversas, decorrentes da excessiva excitação do sistema nervoso central, que nos tira de sua situação de repouso e bem-estar.

Se o objetivo inicial da ansiedade era o de favorecer a sobrevivência do homem, já que o colocava em estado de alerta diante das ameaças, hoje ela se tornou uma fonte de distúrbios, por sua presença intensa e excessiva na vida humana. Os danos à qualidade de vida não são provocados por sua existência, mas sim pela sua intensidade. A constância das ameaças que atingem o homem não permite que haja tempo suficiente para a recuperação do esforço os psíquico dispendido para defesa frente aos perigos. Essa persistência promove um estado de esgotamento em que os recursos emocionais fisiológicos tornam-se excassos. Com essa falência podem surgir vários transtornos orgânicos além do aumento da predisposição para os transtornos de ansiedade e outros transtornos emocionais, como transtorno do pânico, transtorno obsessivo compulsivo (TOC), transtorno fóbico, estresse pós-traumático.

Devemos estar atentos para o aparecimento precoce da ansiedade. Nas crianças, devemos observar a pré-disposição para os sintomas:

ü  Agitação excessiva, choro fácil e dificuldade de dormir.

ü  Avidez de mamar e postura teimosa e possessiva.

ü  Infância carente e problemática: dificuldades dos pais em passar afeto e segurança, fazendo com que a criança sinta-se insegura e exposta, condicionando um sentimento de que coisas ruins e sensações negativas podem acontecer a qualquer momento.

ü  Dificuldade de incorporar fatos e ocorrências novas ou desconhecidas.

A ansiedade é uma presença normal na nossa vida quando não exagerada. Quando o limite é ultrapassado, gerando distúrbios, ela deverá ser tratada. Os tipos de intervenções deverão ser de atendimentos aos aspectos físicos, pelo tratamento médico e às questões emocionais, através da psicoterapia.

O tratamento psicoterápico atua nas causas da ansiedade, dando ao paciente a oportunidade de reelaborar suas crenças e posturas mentais. Ajuda a reorganizar padrões de comportamentos geradores de sofrimento que interferem no bem estar do indivíduo e o impedem de criar possibilidades de realização pessoal. Será estimulado o fortalecimento psicológico - ampliação da resiliência - tolerância e capacidade de crescer com as dificuldades que a vida apresenta, além do desenvolvimento da capacidade de autonomia e autogerenciamento, aprendendo a regular os estados emocionais.
 
Lilian Approbato
Psicóloga Clínica
CRP 06/92901

9972-6520 / 9288-4793









sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Estudos neuropsicológicos e de neuroimagem associados ao estresse emocional na infância e adolescência

Revisão de Literatura

Estudos neuropsicológicos e de neuroimagem associados ao estresse emocional na infância e adolescência

Neuropsychological and neuroimaging studies associated with emotional stress during childhood and adolescence

Paula Approbato de Oliveira, Sandra Scivoletto, Paulo Jannuzzi Cunha


Resumo
Contexto: A infância e a adolescência são períodos relevantes para a maturação do cérebro. Experiências no começo da vida exercem influência em padrões de comportamentos da vida adulta. Objetivo: Analisar estudos neuropsicológicos e de neuroimagem associados ao estresse emocional na infância e adolescência que foram publicados na literatura nos últimos 20 anos Métodos: Revisão da literatura na base de dados Medline/PubMed com os termos relacionados à neuropsicologia, neuroimagem e vivência de abandono, violência doméstica, abuso físico, abuso sexual e negligência. Resultados: Foram encontrados 607 artigos, dos quais 19 foram selecionados para análise por se adequarem ao tema proposto. Apesar das divergências entre eles, há evidências de que grupos com experiência de estresse emocional precoce (EEP) apresentam prejuízos em funções neurocognitivas como atenção, inteligência, linguagem, funções executivas e tomada de decisões, assim como alterações no hipocampo, corpo caloso, córtex pré-frontal e córtex cingulado anterior. A ocorrência de transtornos psiquiátricos e de alterações comportamentais também é relevante nesses indivíduos. Conclusões: Em virtude da diversidade de efeitos negativos do EEP no desenvolvimento neuropsicológico, considera-se fundamental a realização de pesquisas sistematizadas que possam nortear a elaboração de estratégias de diagnóstico e tratamento específicas, além da implementação de políticas públicas de prevenção à violência na infância e adolescência.
Oliveira PA, et al. / Rev Psiq Clín. 2010;37(6):260-9
Palavras-chave: Crianças, adolescentes, neuropsicologia, estresse.
Abstract
Background: Childhood and adolescence are relevant periods for the brain maturation process. Experiences in early life have an important influence on adults patterns of behavior. Objective: To analyze what have been published in the last 20 years about neuropsychological and neuroimaging, associated with occurrence of various forms of emotional stress in childhood and adolescence. Methods: Literature review of the Medline/PubMed database with the terms related to neuropsychology, neuroimaging, abandonment experience, domestic violence, physical and sexual abuse and neglect. Results: 607 articles were found but only 19 fit with the proposed subject and were selected. Despite the differences between the studies, there is evidence that groups with experience of early emotional stress show losses in neurocognitive functions such as attention, intelligence, language, executive functions, and decision-making, as well as changes in hippocampus, corpus callosum prefrontal cortex, and anterior cingulate cortex. The occurrence of psychiatric disorders and behavioral disorders were also relevant in these individuals. Discussion: Considering many negative consequences that early stress can cause in neuropsychological and mental development, there is a need for more research on the topic in order to develop specific strategies for diagnosis and treatment, besides the implementation of public policies for violence prevention in childhood and adolescence, especially in developing countries.


Oliveira PA, et al. / Rev Psiq Clín. 2010;37(6):260-9

Key-words
: Children, adolescents, neuropsychology, stress.

Texto completo: http://www.hcnet.usp.br/ipq/revista/vol37/n6/270.htm

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

BULLYING, BRINCADEIRA QUE DÓI

Sotaque, aparência física, uso de aparelhos corretivos, classe social, religião. O mal estar causado por diferenças como estas e muitas outras, afeta a saúde física e emocional de muitas crianças e adolescentes, principalmente em ambiente escolar.
Brincadeiras que no início parecem inofensivas, podem se transformar no cruel fenômeno chamado Bullying. O termo Bullying não tem tradução para o português, mas caracteriza-se por uma modalidade de violência física, verbal ou psicológica existente em grande parte das comunidades.
Como os agressores escolhem suas vítimas?
 Através do fator diferencial, toda característica que difere um indivíduo dos demais é posta em evidência e ridicularizada, por exemplo, “cabeção”, “rolha de poço”, “baleia”, etc.
O bullying é um fenômeno que ocorre apenas nas escolas?
Não. Ele pode estar presente em diversos lugares, como no ambiente de trabalho (assédio moral), na internet (cyber bullying) ou através de telefone celular (mobile bullying).
Quais tipos de prejuízo o bullying pode causar?
Para a vítima, interferência direta na qualidade da aprendizagem, baixa autoestima, dificuldade de relacionamento social, fobia escolar, tristeza, comportamento arredio e outros.
Para o agressor, realização, respeito e admiração de seus colegas, podendo levar para a vida adulta, comportamento agressivo e violento.

Quais os sinais que apontam que uma criança sofre bullying na escola?
Ela pode apresentar rejeição pela escola, queda no rendimento escolar, problemas emocionais e sociais, como tristeza e isolamento, podendo também apresentar indícios de somatização através de vômito, diarréia, insônia, entre outros.
O que os pais devem fazer se desconfiarem que seu filho sofre bullying?
Devem encorajá-lo a falar sobre o assunto, mostrando que ele não está sozinho, muitas pessoas são vítimas de bullying em algum momento. Enfatize que o agressor está agindo de forma errada, não ele. Assegure-o que juntos descobrirão o que fazer acerca disso. Procure a escola, exponha o problema e juntos busquem uma solução que envolva toda a comunidade escolar.
Porque os agressores praticam o bullying?
As razões podem ser variadas. Algumas vezes, precisam de alguém que pareça emocionalmente mais fraco para poderem se sobressair a elas, se sentirem mais importantes, mais populares, e outras vezes, é a forma como elas são tratadas, podendo achar que esse comportamento é normal, já que faz parte do cotidiano ao qual ela está inserida.

Fiquem atentos, pois tão importante quanto acompanhar o rendimento escolar do seu filho, é acompanhar o contexto e o grupo no qual ele está inserido.
Lembre-se, por mais perturbador que seja o bullying, há recursos e pessoas disponíveis para ajudar.

                                                                                    Yane Camocardi
                                                                                     Psicóloga Clínica 
                                                                                    CRP 06/99074
                                                                                    Fone: 8567 4050
                                                           

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Neuropsicologia


NEUROPSICOLOGIA

É a especialidade da Psicologia que investiga o funcionamento cerebral através de entrevistas, questionários e testes normatizados. Segundo o Conselho Federal de Psicologia, o neuropsicólogo é o profissional que atua no diagnóstico, no acompanhamento, no tratamento e na pesquisa da cognição, das emoções, da personalidade e do comportamento sob o enfoque da relação entre estes aspectos e o funcionamento cerebral.
A avaliação neuropsicológica usualmente aborda as áreas do funcionamento cognitivo, afetivo e social e auxilia no diagnóstico diferencial, ou seja, ajuda na compreensão do real perfil dos pacientes e suas necessidades. A avaliação explora minuciosamente o perfil cognitivo de cada indivíduo e estabelece a presença ou não de disfunção cognitiva. Contribui para o planejamento de diversos tratamentos, tanto na área de Psicologia (para verificar qual abordagem psicoterapêutica é mais adequada) quanto na área médica e de demais profissionais da saúde (como Psicopedagogia, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional).

Quais são os principais aspectos avaliados?
  • Funções Motoras,
  • Percepção e Atenção
  • Memória
  • Aprendizagem
  • Linguagem
  • Organização e Planejamento
  • Comportamento e traços de Personalidade 

Quando uma avaliação neuropsicológica pode ser recomendada?

A avaliação neuropsicológica é recomendada em diversos casos. Ela pode ser aplicada para autoconhecimento e criação de estratégias de melhoria do desempenho acadêmico e profissional. Ou seja, com o conhecimento das funções cognitivas mais e menos desenvolvidas, o indivíduo poderá se adaptar as suas necessidades de acordo com o seu perfil, explorar os aspectos positivos e estimular funções cognitivas em que tenha maior dificuldade. Nesse sentido, a avaliação neuropsicológica também auxilia na compreensão de dificuldades de aprendizagem em crianças, adolescentes e adultos.
Além disso, a avaliação pode ser indicada por neurologistas e psiquiatras, com objetivo de auxiliar no diagnóstico e planejamento do tratamento/reabilitação. A avaliação neuropsicológica é utilizada para descrever o impacto de algumas condições médicas nas funções cognitivas como por exemplo:
  • Traumatismo Crânio Encefálico (TCE)
  • Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou "Derrame"
  • Distúrbios da memória e atenção
  • Distúrbios psiquiátricos
  • Distúrbios do desenvolvimento
  • Efeitos do uso crônico de drogas


PAULA APPROBATO DE OLIVEIRA
Neuropsicóloga
CRP 06/80953