terça-feira, 10 de janeiro de 2012

ANSIEDADE É QUANDO FALTAM CINCO MINUTOS PARA O QUE QUER QUE SEJA...


A ansiedade, até pouco tempo atrás uma ilustre desconhecida, hoje virou um assunto da moda, objeto de discussões em toda mídia e constante em todas as rodas de conversa.

Antes dela, todos os sintomas e desequilíbrios eram atribuídos ao “nervosismo”. Hoje, ela passou a ser considerada uma grande vilã que traz muitos problemas a todos.

A generalização do termo é fato, mas poucos sabem o seu verdadeiro significado. Na realidade a ansiedade foi uma conquista nos primórdios do desenvolvimento humano, para garantir a sua sobrevivência num habitat hostil, cheio de ameaças do clima, animais ferozes, lutas por alimentos e espaço.  

O mecanismo da ansiedade promove a excitação do sistema nervoso central para estimular o organismo para a luta ou a fuga. Ele prepara o indivíduo para enfrentar situações de perigo, lidar com ameaças, privações ou punições, tentando preservar a integridade física, moral ou emocional. Se não for possível evitar as agressões, o organismo tenta minimizar suas consequências.

Hoje não existem os mesmos perigos... Mas quais são aqueles que nos mobilizam?

Nossos tempos poderiam ser chamados de Idade da Ansiedade não porque ela seja uma novidade, mas porque hoje estamos dando atenção à quantidade, tipos e efeitos dela sobre o organismo e psiquismo humano.

Hoje convivemos com muitas outras lutas reais e abstratas que nos ameaçam a sobrevivência. A competitividade social, a busca pela segurança, a necessidade se sobrevivência econômica são marcas da nossa época. Temos que provar constantemente nossa competência, desafiando nossos próprios limites como pessoa, tanto física como psicologicamente. Continuamos assombrados como eram nossos ancestrais.

Somos diariamente invadidos por esse sentimento desagradável, difuso, de medo e de grande e intensa insegurança diante do um perigo vago, que muitas vezes nem mesmo sabemos localizar nem identificar. Passamos a ter sensações físicas muito diversas, decorrentes da excessiva excitação do sistema nervoso central, que nos tira de sua situação de repouso e bem-estar.

Se o objetivo inicial da ansiedade era o de favorecer a sobrevivência do homem, já que o colocava em estado de alerta diante das ameaças, hoje ela se tornou uma fonte de distúrbios, por sua presença intensa e excessiva na vida humana. Os danos à qualidade de vida não são provocados por sua existência, mas sim pela sua intensidade. A constância das ameaças que atingem o homem não permite que haja tempo suficiente para a recuperação do esforço os psíquico dispendido para defesa frente aos perigos. Essa persistência promove um estado de esgotamento em que os recursos emocionais fisiológicos tornam-se excassos. Com essa falência podem surgir vários transtornos orgânicos além do aumento da predisposição para os transtornos de ansiedade e outros transtornos emocionais, como transtorno do pânico, transtorno obsessivo compulsivo (TOC), transtorno fóbico, estresse pós-traumático.

Devemos estar atentos para o aparecimento precoce da ansiedade. Nas crianças, devemos observar a pré-disposição para os sintomas:

ü  Agitação excessiva, choro fácil e dificuldade de dormir.

ü  Avidez de mamar e postura teimosa e possessiva.

ü  Infância carente e problemática: dificuldades dos pais em passar afeto e segurança, fazendo com que a criança sinta-se insegura e exposta, condicionando um sentimento de que coisas ruins e sensações negativas podem acontecer a qualquer momento.

ü  Dificuldade de incorporar fatos e ocorrências novas ou desconhecidas.

A ansiedade é uma presença normal na nossa vida quando não exagerada. Quando o limite é ultrapassado, gerando distúrbios, ela deverá ser tratada. Os tipos de intervenções deverão ser de atendimentos aos aspectos físicos, pelo tratamento médico e às questões emocionais, através da psicoterapia.

O tratamento psicoterápico atua nas causas da ansiedade, dando ao paciente a oportunidade de reelaborar suas crenças e posturas mentais. Ajuda a reorganizar padrões de comportamentos geradores de sofrimento que interferem no bem estar do indivíduo e o impedem de criar possibilidades de realização pessoal. Será estimulado o fortalecimento psicológico - ampliação da resiliência - tolerância e capacidade de crescer com as dificuldades que a vida apresenta, além do desenvolvimento da capacidade de autonomia e autogerenciamento, aprendendo a regular os estados emocionais.
 
Lilian Approbato
Psicóloga Clínica
CRP 06/92901

9972-6520 / 9288-4793









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