O diagnóstico é uma fase muito importante do tratamento psicológico. De maneira geral, ao ser feito o diagnóstico são levantados os sintomas e caraterísticas pessoais que causam prejuízos e limitações na vida do paciente em diversas áreas, por exemplo, nas relações familiares e amorosas, no trabalho, no aprendizado, entre outros. O diagnóstico pode mudar ao longo da vida, por exemplo, uma pessoa que apresenta um quadro de depressão, pode apresentar melhora significativa com o tratamento adequado e remitir os sintomas. Porém, para que o tratamento seja realizado de maneira adequada, é necessário conhecer as demandas reais do paciente.
A avaliação neuropsicológica é uma ferramenta útil para essa finalidade, por mapear o funcionamento cognitivo e investigar aspectos emocionais do paciente. Além disso, em alguns casos é necessária a participação de outros profissionais da saúde para auxiliar no diagnóstico, para que não haja distorções. Na prática clínica, por exemplo, constatei que crianças e adolescentes rotulados como deficientes mentais na verdade apresentavam quadros clínicos que impediam que o processo de aprendizagem ocorresse de maneira efetiva (apresentavam miopia, perda auditiva, entre outros). Nessa caso, a participação da equipe multidisciplinar é indiscutível.
Esse link se refere a um estudo de caso que exemplifica a utilização da avaliação neuropsicológica e avaliação multidisciplinar no diagnóstico diferencial de um garoto acusado cometer de abuso sexual. Os autores fazem parte do Programa Equilíbrio, do Departamento e Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, serviço de atendimento a crianças, adolescentes e famílias em situação de risco e vulnerabilidade social.
Boa leitura!
http://www.scielo.br/pdf/clin/v66n10/29.pdf
CASE REPORT
The importance of multidisciplinary evaluation for differentiating between mental retardation and
antisocial behavior in sex offenders: a case study
Paula Approbato de Oliveira, Christian César Cândido de Oliveira, Cristiana Castanho de Almeida Rocca,
Ana Paula Gonzaga Costa, Sandra Scivoletto
Equilibrium Project, Department and Institute of Psychiatry, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), São Paulo/SP, Brazil.
Paula Approbato de Oliveira
Nosso foco é proporcionar melhoria na qualidade de vida, aprimorando habilidades e contribuindo com o desenvolvimento emocional, mental, cognitivo, de aprendizagem e comunicação
domingo, 15 de janeiro de 2012
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
ANSIEDADE É QUANDO FALTAM CINCO MINUTOS PARA O QUE QUER QUE SEJA...
A ansiedade, até pouco tempo atrás uma ilustre desconhecida, hoje virou um assunto da moda, objeto de discussões em toda mídia e constante em todas as rodas de conversa.
Antes dela, todos os sintomas e desequilíbrios eram atribuídos ao “nervosismo”. Hoje, ela passou a ser considerada uma grande vilã que traz muitos problemas a todos.
A generalização do termo é fato, mas poucos sabem o seu verdadeiro significado. Na realidade a ansiedade foi uma conquista nos primórdios do desenvolvimento humano, para garantir a sua sobrevivência num habitat hostil, cheio de ameaças do clima, animais ferozes, lutas por alimentos e espaço.
O mecanismo da ansiedade promove a excitação do sistema nervoso central para estimular o organismo para a luta ou a fuga. Ele prepara o indivíduo para enfrentar situações de perigo, lidar com ameaças, privações ou punições, tentando preservar a integridade física, moral ou emocional. Se não for possível evitar as agressões, o organismo tenta minimizar suas consequências.
Hoje não existem os mesmos perigos... Mas quais são aqueles que nos mobilizam?
Nossos tempos poderiam ser chamados de Idade da Ansiedade não porque ela seja uma novidade, mas porque hoje estamos dando atenção à quantidade, tipos e efeitos dela sobre o organismo e psiquismo humano.
Hoje convivemos com muitas outras lutas reais e abstratas que nos ameaçam a sobrevivência. A competitividade social, a busca pela segurança, a necessidade se sobrevivência econômica são marcas da nossa época. Temos que provar constantemente nossa competência, desafiando nossos próprios limites como pessoa, tanto física como psicologicamente. Continuamos assombrados como eram nossos ancestrais.
Somos diariamente invadidos por esse sentimento desagradável, difuso, de medo e de grande e intensa insegurança diante do um perigo vago, que muitas vezes nem mesmo sabemos localizar nem identificar. Passamos a ter sensações físicas muito diversas, decorrentes da excessiva excitação do sistema nervoso central, que nos tira de sua situação de repouso e bem-estar.
Se o objetivo inicial da ansiedade era o de favorecer a sobrevivência do homem, já que o colocava em estado de alerta diante das ameaças, hoje ela se tornou uma fonte de distúrbios, por sua presença intensa e excessiva na vida humana. Os danos à qualidade de vida não são provocados por sua existência, mas sim pela sua intensidade. A constância das ameaças que atingem o homem não permite que haja tempo suficiente para a recuperação do esforço os psíquico dispendido para defesa frente aos perigos. Essa persistência promove um estado de esgotamento em que os recursos emocionais fisiológicos tornam-se excassos. Com essa falência podem surgir vários transtornos orgânicos além do aumento da predisposição para os transtornos de ansiedade e outros transtornos emocionais, como transtorno do pânico, transtorno obsessivo compulsivo (TOC), transtorno fóbico, estresse pós-traumático.
Devemos estar atentos para o aparecimento precoce da ansiedade. Nas crianças, devemos observar a pré-disposição para os sintomas:
ü Agitação excessiva, choro fácil e dificuldade de dormir.
ü Avidez de mamar e postura teimosa e possessiva.
ü Infância carente e problemática: dificuldades dos pais em passar afeto e segurança, fazendo com que a criança sinta-se insegura e exposta, condicionando um sentimento de que coisas ruins e sensações negativas podem acontecer a qualquer momento.
ü Dificuldade de incorporar fatos e ocorrências novas ou desconhecidas.
A ansiedade é uma presença normal na nossa vida quando não exagerada. Quando o limite é ultrapassado, gerando distúrbios, ela deverá ser tratada. Os tipos de intervenções deverão ser de atendimentos aos aspectos físicos, pelo tratamento médico e às questões emocionais, através da psicoterapia.
O tratamento psicoterápico atua nas causas da ansiedade, dando ao paciente a oportunidade de reelaborar suas crenças e posturas mentais. Ajuda a reorganizar padrões de comportamentos geradores de sofrimento que interferem no bem estar do indivíduo e o impedem de criar possibilidades de realização pessoal. Será estimulado o fortalecimento psicológico - ampliação da resiliência - tolerância e capacidade de crescer com as dificuldades que a vida apresenta, além do desenvolvimento da capacidade de autonomia e autogerenciamento, aprendendo a regular os estados emocionais.
Lilian Approbato
Psicóloga Clínica
CRP 06/92901
9972-6520 / 9288-4793
9972-6520 / 9288-4793
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Estudos neuropsicológicos e de neuroimagem associados ao estresse emocional na infância e adolescência
Revisão de Literatura
Estudos neuropsicológicos e de neuroimagem associados ao estresse emocional na infância e adolescência
Neuropsychological and neuroimaging studies associated with emotional stress during childhood and adolescence
Paula Approbato de Oliveira, Sandra Scivoletto, Paulo Jannuzzi Cunha
Resumo
Contexto: A infância e a adolescência são períodos relevantes para a maturação do cérebro. Experiências no começo da vida exercem influência em padrões de comportamentos da vida adulta. Objetivo: Analisar estudos neuropsicológicos e de neuroimagem associados ao estresse emocional na infância e adolescência que foram publicados na literatura nos últimos 20 anos Métodos: Revisão da literatura na base de dados Medline/PubMed com os termos relacionados à neuropsicologia, neuroimagem e vivência de abandono, violência doméstica, abuso físico, abuso sexual e negligência. Resultados: Foram encontrados 607 artigos, dos quais 19 foram selecionados para análise por se adequarem ao tema proposto. Apesar das divergências entre eles, há evidências de que grupos com experiência de estresse emocional precoce (EEP) apresentam prejuízos em funções neurocognitivas como atenção, inteligência, linguagem, funções executivas e tomada de decisões, assim como alterações no hipocampo, corpo caloso, córtex pré-frontal e córtex cingulado anterior. A ocorrência de transtornos psiquiátricos e de alterações comportamentais também é relevante nesses indivíduos. Conclusões: Em virtude da diversidade de efeitos negativos do EEP no desenvolvimento neuropsicológico, considera-se fundamental a realização de pesquisas sistematizadas que possam nortear a elaboração de estratégias de diagnóstico e tratamento específicas, além da implementação de políticas públicas de prevenção à violência na infância e adolescência.
Oliveira PA, et al. / Rev Psiq Clín. 2010;37(6):260-9
Palavras-chave: Crianças, adolescentes, neuropsicologia, estresse.
Abstract
Background: Childhood and adolescence are relevant periods for the brain maturation process. Experiences in early life have an important influence on adults patterns of behavior. Objective: To analyze what have been published in the last 20 years about neuropsychological and neuroimaging, associated with occurrence of various forms of emotional stress in childhood and adolescence. Methods: Literature review of the Medline/PubMed database with the terms related to neuropsychology, neuroimaging, abandonment experience, domestic violence, physical and sexual abuse and neglect. Results: 607 articles were found but only 19 fit with the proposed subject and were selected. Despite the differences between the studies, there is evidence that groups with experience of early emotional stress show losses in neurocognitive functions such as attention, intelligence, language, executive functions, and decision-making, as well as changes in hippocampus, corpus callosum prefrontal cortex, and anterior cingulate cortex. The occurrence of psychiatric disorders and behavioral disorders were also relevant in these individuals. Discussion: Considering many negative consequences that early stress can cause in neuropsychological and mental development, there is a need for more research on the topic in order to develop specific strategies for diagnosis and treatment, besides the implementation of public policies for violence prevention in childhood and adolescence, especially in developing countries.
Oliveira PA, et al. / Rev Psiq Clín. 2010;37(6):260-9
Key-words: Children, adolescents, neuropsychology, stress.
Oliveira PA, et al. / Rev Psiq Clín. 2010;37(6):260-9
Key-words: Children, adolescents, neuropsychology, stress.
Texto completo: http://www.hcnet.usp.br/ipq/revista/vol37/n6/270.htm
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
BULLYING, BRINCADEIRA QUE DÓI
Sotaque, aparência física, uso de aparelhos corretivos, classe social, religião. O mal estar causado por diferenças como estas e muitas outras, afeta a saúde física e emocional de muitas crianças e adolescentes, principalmente em ambiente escolar.
Brincadeiras que no início parecem inofensivas, podem se transformar no cruel fenômeno chamado Bullying. O termo Bullying não tem tradução para o português, mas caracteriza-se por uma modalidade de violência física, verbal ou psicológica existente em grande parte das comunidades.
Como os agressores escolhem suas vítimas?
Através do fator diferencial, toda característica que difere um indivíduo dos demais é posta em evidência e ridicularizada, por exemplo, “cabeção”, “rolha de poço”, “baleia”, etc.
O bullying é um fenômeno que ocorre apenas nas escolas?
Não. Ele pode estar presente em diversos lugares, como no ambiente de trabalho (assédio moral), na internet (cyber bullying) ou através de telefone celular (mobile bullying).
Quais tipos de prejuízo o bullying pode causar?
Para a vítima, interferência direta na qualidade da aprendizagem, baixa autoestima, dificuldade de relacionamento social, fobia escolar, tristeza, comportamento arredio e outros.
Para o agressor, realização, respeito e admiração de seus colegas, podendo levar para a vida adulta, comportamento agressivo e violento.
Quais os sinais que apontam que uma criança sofre bullying na escola?
Ela pode apresentar rejeição pela escola, queda no rendimento escolar, problemas emocionais e sociais, como tristeza e isolamento, podendo também apresentar indícios de somatização através de vômito, diarréia, insônia, entre outros.
O que os pais devem fazer se desconfiarem que seu filho sofre bullying?
Devem encorajá-lo a falar sobre o assunto, mostrando que ele não está sozinho, muitas pessoas são vítimas de bullying em algum momento. Enfatize que o agressor está agindo de forma errada, não ele. Assegure-o que juntos descobrirão o que fazer acerca disso. Procure a escola, exponha o problema e juntos busquem uma solução que envolva toda a comunidade escolar.
Porque os agressores praticam o bullying?
As razões podem ser variadas. Algumas vezes, precisam de alguém que pareça emocionalmente mais fraco para poderem se sobressair a elas, se sentirem mais importantes, mais populares, e outras vezes, é a forma como elas são tratadas, podendo achar que esse comportamento é normal, já que faz parte do cotidiano ao qual ela está inserida.
Fiquem atentos, pois tão importante quanto acompanhar o rendimento escolar do seu filho, é acompanhar o contexto e o grupo no qual ele está inserido.
Lembre-se, por mais perturbador que seja o bullying, há recursos e pessoas disponíveis para ajudar.
Yane Camocardi
Psicóloga Clínica
CRP 06/99074
Fone: 8567 4050
Assinar:
Comentários (Atom)